
Redesenho do componente de banner: menos fricção, mais ativação
O carrossel que abre a home da UniBB atrapalhava quem lia e quem publicava. As setas ficavam sobre a mensagem, a seta de avançar recebia 58,6% dos cliques da home e a equipe interna ajustava à mão cada arte enviada fora do tamanho.
Repensei o carrossel para facilitar a visualização do conteúdo, aumentar a ativação e reduzir o retrabalho do time na adaptação de imagens. Depois do lançamento, os cliques na seta caíram 83%, o banner virou o elemento mais clicado da home e o retrabalho da equipe caiu 95%.
- Cliente
- UOL EdTech para Banco do Brasil
- Período
- Primeiro trimestre de 2026
- Time
- Product Manager - Letícia Paulino
- Engineering Manager - Renato Teixeira
- Desenvolvimento - Amanda Rafaela
- Desenvolvimento - Fabricio Pereira
- Quality Assurance - Robert Soares
- Meu papel
- Product Designer, atuando de ponta a ponta: da investigação do problema ao desenho da solução e ao acompanhamento dos resultados.
- Entregas
- Componente redesenhado, documentação para desenvolvimento, guia de criação e adaptação dos banners que estavam no ar
Contexto
O carrossel de banners abre a home da UniBB. É o espaço de maior destaque da plataforma: anuncia lançamentos, campanhas e cursos prioritários para os funcionários do banco.
Três grupos dependem dele:
Alunos
Precisam entender rapidamente o que é novo e o que é prioritário.
Clientes
As áreas do banco que pedem a publicação. Produzem as artes com agências ou, muitas vezes, sem experiência em design digital.
Equipe interna
Governança, conteúdo e suporte, que recebem os arquivos, ajustam e publicam tudo manualmente.
Quando o banner falha, falha justamente no primeiro contato do aluno com a plataforma.
O pedido e a pergunta que mudou o escopo
A demanda veio do time de Arquitetura de Solução. Os clientes enviavam artes fora do tamanho, e a equipe interna corrigia peso e proporção à mão antes de publicar. A resposta óbvia seria definir uma medida e divulgá-la.
Antes de aceitar esse recorte, fiz uma pergunta: a distorção vem da imagem ou do componente? Para responder, segui o caminho completo de um banner, do arquivo enviado até a tela do aluno. Encontrei problemas nas duas pontas.
No processo, não havia uma medida de referência
O formulário de upload recomendava 2500 × 500 px, uma proporção de 5:1. Mas os arquivos chegavam em medidas como 1200 × 270 e 555 × 225, com proporções diferentes entre si, de cerca de 4,4:1 e 2,5:1. Como cada arte tinha um formato, cada uma era cortada ou distorcida de um jeito, e a equipe interna ajustava os arquivos manualmente para compensar.
Na interface, o componente escondia a mensagem
Mesmo com o arquivo certo, o componente atrapalhava a leitura. A imagem abaixo mostra a home com zoom de 150%, um ajuste comum para quem precisa de letras maiores na tela, como pessoas com baixa visão.

O título da arte era cortado. Para caber na tela, o componente recortava as laterais da imagem. Como o texto fazia parte da arte, o título "PIT+" perdia letras na borda esquerda.
A seta ficava sobre o texto. As setas de navegação ficavam por cima da arte, sem considerar onde estava a mensagem. Aqui, a seta de voltar cobre a palavra "Identificação".
O indicador de posição parecia outra seção. A fileira de pontos ficava fora do banner, numa faixa cinza entre ele e as Notícias. Separado da arte, ele não parecia parte do carrossel, e a relação entre os pontos e os banners se perdia.
Ou seja, mesmo uma arte perfeita seria prejudicada pelo componente. O pedido descrevia um sintoma; a causa estava dividida entre o processo e a interface.
Investigação: ouvir antes de desenhar
Para separar fatos de suposições, ouvi quem opera o banner e olhei os dados de quem o usa.
- Kick-off com Produto e Engenharia: Facilitei uma dinâmica para separar o que o time sabia, supunha e ainda não sabia sobre componente, guia e gestão. As dúvidas viraram a pauta da investigação.
- Entrevistas com o time de governança: Mapeamos juntos o cadastro de um banner: sete etapas, todas manuais. Dali saíram perguntas que ninguém tinha feito, como “por que os banners aparecem na ordem de cadastro?” e “dá para ver uma prévia antes de publicar?”.
- Conversa com o time de conteúdo: Entendi como os padrões chegavam aos clientes: de forma oral, nas reuniões de início de cada projeto. Quem não participava não tinha onde consultar.
- Dados, avaliação e referências: Analisei um mês de cliques na home, avaliei o componente com critérios de usabilidade e comparei carrosséis de produtos como Apple, Itaú, Coursera e Mercado Livre.
| Fonte | O que ouvi ou vi | O que isso revelou |
|---|---|---|
| Arquitetura de Solução | Clientes enviam artes fora do tamanho e do peso ideais | Não havia padrão documentado, só uma dica no formulário de upload |
| Governança e suporte | Imagens ajustadas à mão, em ferramentas impróprias para isso | O erro na origem virava retrabalho invisível para a equipe interna |
| Conteúdo | Regras repassadas oralmente, em reunião | O cliente não sabia onde encontrar as especificações |
| Dados de uso (janeiro de 2026, 361 mil sessões) | A seta “avançar” recebeu 58,6% dos cliques da home; as duas imagens de banner mais clicadas, 5,3% e 4,9% | As pessoas passavam os banners sem se engajar com a mensagem |
Esse último dado mudou a conversa. Entre os elementos mais clicados, havia mais de seis cliques nas setas para cada clique em um banner. O carrossel parecia engajar, mas funcionava como um botão de passar slides.
- Seta de avançar58,6%
- Banner mais clicado5,3%
- Segundo banner mais clicado4,9%
Fonte: dados de uso da home da UniBB, 361 mil sessões.
O problema, definido
A investigação separou o problema em duas partes:
Na interface
O componente não cumpre o papel de comunicar prioridade
Não garante leitura, hierarquia nem comportamento consistente entre telas.
No processo
Não há regras nem orientação para quem cria e publica
Sem padrão de tamanho, proporção, formato e peso, o erro nasce na origem e a equipe interna corrige à mão.
Classificamos os problemas por criticidade. Os que afetam o aluno receberam criticidade alta; os da operação, média; a falta de métricas de engajamento, baixa. Com isso, o time decidiu:
Agora
Redesenhar o componente
Ele afeta o aluno no primeiro contato com a plataforma.
Em paralelo
Criar um guia de criação
Para reduzir erros na origem com pouco esforço.
Depois
Estudar uma área de gestão para o cliente publicar sozinho
Exige mais maturidade técnica e de processo.
Solução: o que mudou no componente e por quê
Cada decisão partiu de um problema observado. O objetivo era um só: tirar da frente da mensagem tudo o que competia com ela.
| Problema | Decisão | Por quê |
|---|---|---|
| Banner baixo, com pouca área útil e pouco peso na página | Novo formato: 1920 × 480 px (4:1) no desktop e 720 × 360 px (2:1) no celular | Mais espaço para a mensagem sem empurrar o restante da home para baixo |
| Setas sobre o texto e fora do alinhamento da página | Controles agrupados na base, dentro da largura de 1220 px usada pelos demais blocos | A arte fica livre, e a navegação ganha um lugar único e previsível |
| Pontos de navegação fora do banner, numa faixa cinza | Barra de progresso dentro do banner, sobre um gradiente leve | Elementos relacionados precisam parecer juntos. A barra mostra quantos banners existem e qual está na tela |
| Troca automática sem nenhum controle | Troca automática mantida, com botão de pausar e setas | A troca automática garante que os destaques sejam vistos. A pausa devolve o controle a quem quer ler com calma e atende à regra de acessibilidade para conteúdo que se move sozinho |
| Arte cortada conforme a tela ou o zoom | Áreas de segurança definidas e margens laterais em telas muito largas | O essencial fica sempre visível, e a arte nunca é esticada |

- Setas agrupadas na base, alinhadas à grade.
- Barra de progresso com pausa, centralizada dentro do banner.
- Banner de ponta a ponta, no formato 4:1.
A crítica de design mudou a primeira versão
No início, as setas apareciam só ao passar o mouse, para reduzir distrações. Na crítica com o time de design, revimos a escolha: em telas de toque não existe “passar o mouse”, e controle escondido é controle difícil de encontrar. Os controles passaram a ficar sempre visíveis, agrupados e centralizados na base.
Na mesma rodada, testamos a proporção 3:1 e mantivemos a 4:1, que dá destaque ao banner sem ocupar demais a parte visível da home.
A documentação para desenvolvimento cobriu o comportamento, não só a aparência
Descrevi a anatomia, os três estados (inicial, em reprodução e pausado) e as regras de interação. Um exemplo: a animação da barra e a troca de slide usam a mesma contagem de tempo, para nunca saírem de sincronia.
O documento ainda especifica o comportamento em tablet, em telas muito largas e no celular, onde o gesto de deslizar substitui as setas.
Guia de criação: levar a regra a quem cria
Um componente melhor não corrige um arquivo errado. Por isso escrevi um guia para designers, agências e qualquer pessoa que produza banners para a UniBB, inclusive quem não tem experiência em design.
Cinco escolhas orientaram a escrita:
- Partir das perguntas de quem cria. As seções respondem dúvidas reais, como “quais tamanhos de imagem funcionam melhor?”.
- Explicar o porquê de cada regra. Quem sabe que as laterais podem ser cortadas no celular não coloca texto ali.
- Criar uma imagem mental simples. As áreas de segurança viraram um semáforo: verde para o essencial (1220 px centrais), amarelo para o cenário (350 px em cada lateral) e vermelho para a faixa dos controles (cerca de 80 px na base).
- Trocar adjetivos por números. Em vez de “use uma fonte legível”, o guia pede no mínimo 32 pt no título, 18 pt no texto de apoio e contraste de 4,5:1.
- Mostrar o que fazer e o que evitar. As orientações vêm em pares, como “uma mensagem por banner” e “no máximo duas famílias de fonte”.

Para a transição, adaptei ao novo formato os banners que estavam no ar, como Certificação ANBIMA e Trilha Estratégica 2026, no desktop e no celular. Assim, nenhuma arte ficaria fora do padrão com a troca do componente.
A validação com o cliente ampliou o guia
O time do banco concordou com todas as orientações e sugeriu incluir acessibilidade cognitiva, pensando em pessoas neurodivergentes. E pediu que o texto não ficasse repetitivo.
Cruzei as oito sugestões com o que o guia já dizia. Três já estavam cobertas, como “uma mensagem por banner”. As outras entraram como orientações novas, entre elas evitar animações intensas, manter título e chamada em posições previsíveis e evitar fontes decorativas.
Resultados e próximos passos

A primeira versão do componente ficou pronta para desenvolvimento em março de 2026, com estados, fluxos e regras de comportamento documentados. O guia de criação e os banners adaptados acompanharam a entrega.
O que mudou depois do lançamento
Cada resultado está ligado às decisões que o produziram.
3,8×
Cliques na imagem do banner
A imagem do banner virou o elemento mais clicado da home: passou de 5,3% para 20,25% dos cliques, posição que antes era da seta de avançar. Hoje o conteúdo recebe mais cliques que as duas setas somadas.
O que gerou esse resultado
- Mensagem livre de sobreposições
- Controles agrupados na base
- Barra de progresso dentro do banner
−95%
Chamados sobre banners distorcidos ou com erro de upload
Os chamados sobre artes fora do padrão praticamente desapareceram com o formato único e as regras do guia.
O que gerou esse resultado
- Formato único de 1920 × 480 px
- Áreas de segurança
- Guia de criação
−95%
Retrabalho da equipe interna para ajustar artes
A equipe deixou de corrigir artes e passou a atuar só de forma consultiva, indicando onde encontrar as orientações do guia.
O que gerou esse resultado
- Guia na língua de quem cria
- Regras com números, não adjetivos
- Banners adaptados ao novo formato
Como os clientes receberam o guia
O retorno foi muito positivo. Os clientes destacaram o valor desse tipo de documentação, contaram que o guia era fácil de entender e de aplicar e pediram o mesmo tipo de guia para outros formatos de criativos.
Próximo passo
A área de gestão para o cliente publicar sozinho. A proposta inclui upload com validação de tamanho e peso, prévia no desktop e no celular, definição de ordem e período de exibição e aviso de banners prestes a expirar.
Aprendizados
O pedido costuma descrever um sintoma
“Os clientes enviam errado” era verdade, mas incompleto. Uma pergunta simples, “imagem ou componente?”, revelou a outra metade do problema.
Quem opera vê o que a tela esconde
O retrabalho da equipe interna não aparecia em nenhum dado de uso. Só surgiu nas conversas.
Clique não é compreensão
Os dados mostravam muita interação e pouca intenção. Cruzar números com conversas evitou confundir movimento com sucesso.
Uma regra só funciona quando chega a quem cria
Documentar o padrão para o desenvolvimento não bastava. Ele precisava estar escrito na língua de quem produz a arte.
Vamos bater um papo sobre este case?
Se quiser saber mais sobre o processo, trocar ideias ou conversar sobre uma oportunidade, me chame. Vou adorar conversar.
Ou escreva direto para o meu e-mail(abre seu aplicativo de e-mail)